Aracnídeos · Cerrado · Brasil

Aranhas do Cerrado

Vivem entre raízes, troncos ocos, folhas secas e teias quase invisíveis. Oito aranhas que ajudam a equilibrar o segundo maior bioma da América do Sul — e que, na maioria das vezes, é melhor apenas observar de longe.

O bioma das oito pernas

O Cerrado cobre cerca de 2 milhões de km² do Brasil central, com solos ácidos, estações bem marcadas e uma vegetação que aprendeu a conviver com o fogo. Dentro desse mosaico de campos, veredas e cerradão vivem milhares de espécies de aranhas — predadoras silenciosas que controlam populações de insetos e servem de alimento para aves, lagartos e até outros aracnídeos.

A maioria foge do contato humano. Algumas, no entanto, têm veneno capaz de causar problemas sérios — e por isso merecem respeito. Esta é uma pequena cartilha de oito espécies que aparecem no Cerrado, da gigante inofensiva à pequena verdadeiramente perigosa.

As oito espécies

Aranha-armadeira Phoneutria nigriventer

Risco médico: alto

Talvez a aranha mais temida do Brasil. Não tece teia — caça à noite entre folhas, bananeiras, sapatos e pilhas de lenha. Quando se sente ameaçada, ergue as patas dianteiras em postura de ataque. O veneno é neurotóxico e exige soro antiaracnídico em casos graves.

Aranha-marrom Loxosceles spp.

Risco médico: alto

Pequena, discreta e silenciosa — vive em frestas, atrás de móveis e dentro de roupas guardadas. Não é agressiva, mas pica quando esmagada contra a pele. O veneno provoca lesões necróticas que podem demorar semanas para cicatrizar. Diversas espécies do gênero ocorrem no Cerrado.

Viúva-marrom Latrodectus geometricus

Risco médico: médio

Prima tropical da famosa viúva-negra. Tem corpo arredondado, cor de café e uma ampulheta alaranjada no abdômen. Constrói teias irregulares perto do chão, em muros e cercas. O veneno causa dor intensa, mas raramente é fatal.

Caranguejeira-rosa Lasiodora parahybana

Risco médico: baixo

Uma das maiores aranhas do mundo — fêmeas adultas podem passar de 25 cm com as patas estendidas. Apesar do tamanho intimidador, o veneno é fraco para humanos. A defesa principal são os pelos urticantes que ela lança esfregando o abdômen com as patas traseiras.

Aranha-de-teia-dourada Trichonephila clavipes

Risco médico: desprezível

Constrói teias enormes — às vezes com mais de um metro — feitas de seda dourada e brilhante, capazes de capturar até pequenos pássaros. A fêmea é grande e listrada; o macho é minúsculo e vive na borda da teia. Pacífica e benéfica para o controle de insetos.

Aranha-de-prata Argiope argentata

Risco médico: desprezível

Inconfundível pelo desenho em zigue-zague que tece no centro da teia, chamado estabilimento. O abdômen prateado reflete a luz e confunde predadores. Comum em vegetação aberta do Cerrado, onde ajuda a controlar gafanhotos e mariposas.

Aranha-de-grama Lycosa erythrognatha

Risco médico: baixo

Aranha-lobo: não tece teia para caçar, persegue suas presas em corrida pela vegetação rasteira. As fêmeas carregam o saco de ovos preso às fiandeiras e, depois, transportam dezenas de filhotes sobre o próprio dorso. O veneno é pouco tóxico para humanos.

Caranguejeira-do-cerrado Vitalius sorocabae

Risco médico: baixo

Espécie típica do Brasil central, vive em tocas escavadas no solo arenoso do Cerrado. De coloração marrom-avermelhada, é noturna e relativamente dócil. Como toda caranguejeira, defende-se mais com pelos urticantes do que com a picada.

Por que elas estão sumindo

Se encontrar uma aranha